2025 começo BEM rico em experiências clínicas e resolvi trazer aqui para vocês um importante tema da minha última semana de atendimentos.. ele é pouquíssimo abordado e penso que estas informações que vou dividir podem ser bastante esclarecedoras e incentivar vocês a cuidarem BEM da saúde de base..
NOVO ANO, NOVAS OPORTUNIDADES
Já contei aqui que a clínica é soberana, apesar dos exames complementares terem também seu valor.
Pois bem, atendi um paciente que vem se tratando há anos com a psiquiatria.. está em uso de medicamentos e acompanhamento terapêutico; ambos sem sucesso. Depois de uma boa conversa e avaliação bioquímica inicial, achei por bem verificar a anatomia cerebral com exames de imagem. Eis que encontrei na ressonância magnética o que desconfiava: gliose por microangiopatia, em diminuto foco único como sinal hiperintenso na sequência FLAIR da substância branca no lobo frontal.
PS.: perceberam que a solicitação da RM veio para comprovar minha hipótese diagnóstica.. meu raciocínio principal acontece, na grande maioria das vezes, pela conversa inicial e conhecimento detalhado da história pregressa e atual de cada paciente.
Gliose é uma alteração da substância branca do cérebro evidenciada na ressonância magnética por lesões hiperintensas = esbranquiçadas nas sequências FLAIR, geralmente proveniente de microangiopatia cerebral = doença de pequenos vasos do cérebro. Ela é decorrente, principalmente da formação de placas de ateroma na parede dos pequenos vasos. As glioses podem receber também as seguintes denominações: microangiopatia isquêmica, ateroesclerose cerebral e doença ateroesclerótica cerebral.
Alguns fatores de risco são bem conhecidos, como tabagismo, alcoolismo, dislipidemia, obesidade, sedentarismo, hipertensão, diabetes e algumas outras doenças que acometem vasos como as vasculites, doenças reumáticas tipo o Lupus. Existem outras doenças hereditárias que podem cursar com gliose no sistema nervoso central; mas são bem raras.
Mas eis o ponto central deste meu desejo em escrever este artigo: estudos têm demonstrado que essas lesões da gliose também podem ocorrer em pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, dentre eles o transtorno bipolar, a esquizofrenia, as depressões crônicas e a dependência química. Outros estudos já associaram também esses achados à cefaléias recorrentes e enxaquecas.
Ainda que as lesões não causem alterações | danos físicos imediatos; a simples presença das glioses indica um quebra na homeostase cerebral e de neurotransmissores. É bastante comum o paciente com gliose ter algumas perturbações do humor, seja ela pre existente ou consequência das glioses. Já atendi pacientes que não tinham os fatores de risco clássicos, que não tinham doenças que justificassem as glioses, mas que possuíam uma história de depressão, ansiedade crônica e ou transtorno de humor ao longo da vida.
Em geral esses pacientes têm glioses na substância branca do lobo frontal em quantidade moderada a alta. A sintomatologia psiquiátrica é mais exuberante quando existem glioses nos núcleos da base, como o núcleo caudado; e então podem ocorrer também tremores, perda de equilíbrio e ou dores de cabeça.
Este grupo de pacientes não responde bem aos antidepressivos e ansiolíticos do tratamento clássico; é preciso um acompanhamento cuidadoso com intervenções em vários níveis. Minha abordagem integrativa e o suporte Ortomolecular se faz extremamente necessária.
As estratégias de reversão do sedentarismo, controle das alterações metabólicas, redução de substâncias químicas como tabaco e álcool {bem como a quelação de metais pesados} gerenciamento do estresse, melhora da arquitetura do sono, dentre outras medidas, são essenciais à prevenção dos eventos cerebrovasculares, neurológicos e cognitivos. Outro aspecto crucial e de caráter preventivo é a preocupação com a neuroproteção e aqui entra a oferta de antioxidantes e anti inflamatórios cerebrais; a eliminação das neurotoxinas; a prescrição de alguns aminoácidos como o lion’s mane. Muitas vezes a promoção de neurogênese e a indução de fatores neurotóficos é também necessária, para regular a diferenciação neuronal, ativar a microglia e modular a microcirculação, para alcançarmos uma BOA saúde cognitiva, a melhora da fisiologia neuronal e da bioquímica cerebral.
A importância em se olhar para isso cuidadosamente e em se tratar adequadamente {além da melhora da qualidade de vida e bem estar, é claro.. neste caso desse meu paciente, a reversão do quadro psiquiátrico refratário aos medicamentos prescritos até então} é que o número de lesões, a localização delas, a idade do paciente e outros fatores relacionados ao envelhecimento cerebral podem predispor à doenças degenerativas como a demência vascular. Obviamente nem todo paciente desenvolverá demência, mas existe sim este risco.
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